Diário de Dom Inácio deverá ser concluído na primeira quinzena de janeiro

Publicado em 13/01/2018 - regiao - Da Redação

Diário de Dom Inácio deverá ser concluído na primeira quinzena de janeiro

GUAXUPÉ - Os pesquisadores e historiadores Wilson Ferraz, e sua esposa, Maria Luiza Lemos Brasileiro, estão elaborando um verdadeiro diário do episcopado do Bispo da Diocese de Guaxupé, Dom Inácio João Dal Monte, falecido em 29 de maio de 1963. O documentário poderá se transformar num livro e também ajudará no processo de beatificação do prelado.

Em 4 de outubro último, após as celebrações em homenagem a São Francisco de Assis, o pároco da Paróquia de Nossa Senhora das Dores, em Guaxupé, Padre Reginaldo da Silva, solicitou a colaboração de Wilson para um levantamento histórico a respeito de Dom Inácio.

A primeira parte do trabalho foi entregue ao pároco em 6 de novembro passado e a previsão era de que a parte final fosse concluída até o natal. 

Falando a reportagem do jornal, Wilson menciona que tinha uma noção do que viria a ser o documentário. Acontece que seus estudos sempre se limitaram a fatos históricos, não levando em conta as questões litúrgicas e teológicas, portanto não fazia parte do seu acervo documental, cartas pastorais e circulares expedidas pelos bispos diocesanos. Desta forma novas pesquisas de campo tiveram que ser realizadas em diversas fontes, já estando o material catalogado.

Acontece que os pesquisadores já haviam agendado uma viagem de férias para o final de ano, juntamente com demais integrantes e colaboradores de um grupo empresarial. 

Apesar dos 18 dias de férias, os historiadores acreditam que no mais tardar, até 15 de janeiro de 2018, a segunda parte seja entregue.

Wilson tem uma característica peculiar de ser objetivo, minucioso e detalhista, seja em suas reportagens jornalísticas, nos documentários históricos e, principalmente, na montagem dos processos judiciais que elabora para os advogados. Ele sempre faz questão de dizer que os detalhes e as minúcias é que fazem diferença, usando o menor espaço para se transmitir o maior número de informações possíveis.

Diário

De forma clara e objetiva, os historiadores já retrataram o dia-a-dia do bispo desde a sua chegada em Guaxupé, em 7 de setembro de 1952, até a sua morte, em 29 de maio de 1963.

Nestes cerca de 10 anos e meio, os historiadores retratam as celebrações, as realizações, as obras realizadas, as dificuldades encontradas e os sucessos alcançados.

Desafios

Ao assumir a Diocese de Guaxupé, em 08 de setembro de 1952, Dom Inácio tinha dois grandes desafios. O primeiro seria acalmar os ânimos políticos que se encontravam exaltados em função da grande operosidade de seu antecessor, Dom Hugo Bressane de Araújo.

O segundo desafio era o término da Catedral que se encontrava coberta e com as portas colocadas, porém a sua conclusão demandava grandes investimentos que a Diocese não dispunha em caixa.     

Contrastes

Apesar de todos os méritos de Dom Inácio, vários fatores fizeram com que ele fosse reverenciado ainda mais.

Ele participou do Concílio Vaticano II, em Roma, no final do ano de 1962, porém faleceu antes das modificações impostas pelo mesmo. Dom Inácio tinha uma visão progressista, porém era cauteloso, meticuloso. Devido a sua proximidade com Deus, sabia ele dosar as alterações para que os fiéis pudessem ir assimilando gradativamente a nova mentalidade que a Igreja Católica passava a adotar.

Seu sucessor, Dom José de Almeida Batista Pereira, foi um grande entusiasta imediatista do Concilio. Impôs as mudanças de forma brusca, o que acabou gerando certo “desencontro” com os fiéis.

Dom Inácio entendia que a Igreja precisava ser rica para ajudar os pobres. A riqueza não poderia ser entendida como luxo e ostentação, mas sim para promover ações de amparo para crianças carentes em condições de vulnerabilidade, proporcionando cursos profissionalizantes para os jovens.

Foi de Dom Inácio a iniciativa da criação de uma faculdade de filosofia e de um seminário com curso superior para que professores e padres tivessem melhor qualificação para melhor orientação de alunos e dos fiéis. Também foi dele a iniciativa de se implantar a “Casa da Criança” para a formação da moral e do caráter de meninas carentes que viriam a ser as “damas do futuro”.

Naquela época o serviço de enfermagem da Santa Casa era realizado pelas Irmãs de Imaculada Conceição, as quais viviam em condições sub-humanas, enclausuradas num pequeno quarto. Desta forma ele promoveu a construção do prédio para abrigar o Convento das mesmas, garantindo melhores condições de vida e de formação religiosa para as noviças.  


(Colaborou: Wilson Ferraz)