A PROXIMIDADE DO FINAL DOS TEMPOS A CADA ANO NOVO

Publicado em 12/01/2018 - marco-regis-de-almeida-lima - Da Redação

A PROXIMIDADE DO FINAL DOS TEMPOS A CADA ANO NOVO

Certamente que para mim torna-se inevitável a chegada aos últimos tempos. Refiro-me à chegada do momento fatal da transição humana – a morte – da vida para o nada ou da vida terrestre material para uma vida espiritual. Não aludo aqui a nenhuma ficção, a nenhum fatalismo e a nenhum pressentimento. Simplesmente constato que transitei por dezenas de janeiros e em cada um deles fui dando falta de conhecidos, de parentes e amigos. Ultimamente, tenho observado que esse sumiço ao meu derredor tem se multiplicado e me deixado mais pensativo. Não que ao longo da minha vida não tenha dado falta dos que se foram, de perto ou de longe. Sempre senti a perda deles, perto ou longe. Como médico os vi partir a cada dia, sofrendo pelas perdas prematuras, mesmo que estranhos fossem, ou consolando as famílias diante das perdas dos mais velhos, ajudando-os a entender o implacável Ciclo Vital dos seres viventes, animais e vegetais. Mesmo assim, confesso que equilibrava as decepções das mortes com a alegria de minha especialidade de obstetra, ou seja de médico parteiro, que é o real significado da palavra grega ‘obstetrícia’, que quer dizer ‘estar ao lado de’. Através dos nascimentos percebia distribuir alegria. E não foi pouca alegria! Tenho estimativa de haver realizado em torno de cinco mil partos, dos quais apenas uns 20% de cesarianas, procurando cumprir as normas da Organização Mundial de Saúde – OMS –, ou melhor dizendo, da Natureza, sem mercenarismo e sem a intromissão dos “protocolos” dos técno-burocratas da saúde de hoje.

Porém, tratar do fim do meu tempo nada interessaria aos leitores deste semanário. Nem foi esse o meu propósito. Por ocasião do Natal e do Ano Novo, tentei adentrar no tema em apreço, mas a minha mente foi direcionando a digitação de palavras que redundaram em assuntos paralelos, realistas e melhor adequados àqueles momentos. Entretanto, não abandonei a ideia de abordar o assunto ‘do final dos tempos’ ou ‘dos últimos tempos’. Este me foi suscitado por duas senhoras evangelizadoras, que estiveram à porta da minha casa, entre aquelas ocasiões, e contido na revista “Despertai!” – uma publicação das Testemunhas de Jeová, que não é uma religião protestante como pensam muitos. Aliás, não perdi a oportunidade de esclarecê-las de que no meu primeiro mandato de prefeito de Muzambinho, assumi a responsabilidade de tornar o nosso município parceiro dessa religião, sem ferir a Constituição. Em algumas audiências concedidas a um dos seus pioneiros em Muzambinho, o saudoso Florentino dos Santos, então funcionário do Cartório de Registro de Imóveis, filho do também saudoso João Cipó, decidimos fornecer o material e parte da mão-de-obra para o erguimento de portentoso muro de arrimo ao lado do templo a fim de que ele desse suporte e segurança não somente aos fiéis das Testemunhas de Jeová, mas aos moradores do bairro Brejo Alegre, junto do nosso projeto (realizado) de tirar aquela comunidade, já então centenária, de ruas de terra batida, pavimentando-as com paralelepípedos – tudo intacto nestes quase trinta anos.

 Pois bem, na citada revista “Despertai!”, li a matéria ‘O Mundo está fora de controle? O que a Bíblia diz?’ onde encontrei uma citação da 2ª Epístola a Timóteo (3:1-5). Servi-me dos ensinamentos dessa matéria e, em seguida, recorri-me à Bíblia de Jerusalém, em cuja apresentação diz ter sido obra “de uma equipe de exegetas católicos e protestantes”, embora contenha livros considerados apócrifos pelo protestantismo. Teorias, à parte, vejamos o que interessa na matéria de “Despertai!” e contido na Bíblia de Jerusalém (2 Tim 3:1-5): “Nos últimos dias sobrevirão momentos difíceis. Os homens serão egoístas, gananciosos, jactanciosos, soberbos, blasfemos, rebeldes com os pais, ingratos, iníquos, sem afeto, implacáveis, mentirosos, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres do que de Deus; guardarão as aparências da piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Afasta-te também destes.”

Mais do que nunca o noticiário mundano se enquadra neste contexto bíblico. Poucos países fogem de um cenário de violência. O capitalismo e a tecnologia assoberbaram o homem. Desde criança, ouvia de meu pai, que professava o espiritismo kardecista, o seguinte: quando pai matar filho; filhos matarem os pais; irmãos se matarem, estaremos próximos de um grande momento de transformação na Terra. Quem teria coragem de dizer que já não estamos diante de tudo isso, principalmente no Brasil, país no qual botava fé o fundador da Legião da Boa Vontade, Alziro Zarur, em seus programas através do rádio, antes da Era da TV, que nos tinha como um país predestinado, “coração do mundo e pátria do evangelho”.

Seguramente que “o mundo não vai acabar”. Mas, a vida terrestre poderá estar na iminência de grandes transformações, ou como afirmam as religiões cristãs, próximas do Juízo Final. Cientistas calculam que a fonte da nossa vida, o Sol, ainda poderá durar uns cinco bilhões de anos. Porém, isso não significa que não possamos nos tornar um planeta inóspito e sem vida como tantos outros do sistema solar.  Lembremos que Isaías profetizou a concepção e o nascimento de Jesus, o Emanuel, uns setecentos anos antes (Is 7:14). Já passamos dos dois mil anos das palavras de Paulo de Tarso a Timóteo. Certamente, que eu estou mais próximo do meu fim do que o “final dos tempos” aqui na Terra. Entretanto, além da violência humana, tem coisas inacreditáveis acontecendo no planeta, como as imagens desta semana mostrando neve cobrindo as dunas do Deserto do Sahara. Melhor ligar as antenas no Bem e no Fim!

*Marco Regis é médico, foi prefeito de Muzambinho (1989/92; 2005/08) e deputado estadual-MG (1995/98; 1999/2003)

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