Neste diapasão, louvo a resistência dos persas, dos coreanos do norte, dos venezuelanos, dos iraquianos, dos afegãos, dos cubanos e alguns outros insurgentes. Mas, tenho vibrado mesmo é com o atrevimento do nosso presidente Lula em suas destemidas estocadas nas grandes potências. Agora, principalmente, com a grande tacada turco-brasileira, metendo-se a cachorros grandes e buscando alguma concessão de Teerã para o abrandamento da fúria do chamado por mim de condomínio angloamericano.
Há de ficar claro que a via diplomática estabelecida entre Brasil, Turquia e Irã, obteve notável avanço, pois Ahmadinejad assinou um acordo que antes, infrutiferamente, tentaram cinco países, integrantes permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas – Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China – mais a Alemanha, batizados pela sigla P5 + 1, nos moldes sugeridos pela AIEA – Agência Internacional de Energia Atômica, um braço da Organização das Nações Unidas – ONU, ou seja, na troca do urânio pobremente enriquecido do Irã por outro enriquecido a 20%, no exterior, suficiente para utilização em fins pacíficos e insuficiente para uma bomba cujo enriquecimento deve ser superior a 90%.
Porém, as grandes potências não se deram por satisfeitas com o êxito diplomático de Brasil e Turquia e ridicularizam o acordo obtido, que era a proposta anterior delas próprias. Insistem na pressão do uso de sanções políticas e econômicas contra o Irã, podendo chegar à utilização de força militar. Recentemente, já vimos este filme recheado de mentiras, com a legenda do Iraque, país destroçado covarde e desumanamente pelos arautos da democracia ocidental.
Análise jornalística publicada na edição desta quarta feira pela “Folha de S.Paulo” diz que: “Ao anunciar que tem o apoio dos demais membros do Conselho de Segurança da ONU para a nova resolução contra o Irã , o governo americano buscou, em primeiro lugar, mostrar quem de fato manda numa hierarquia do poder global”.
Nada diferente do que aprendi ainda criança, na fábula de La Fontaine, O Lobo e o Cordeiro, quando a indefesa ovelhinha bebia água na parte baixa de um terreno inclinado e o lobo, na espreita e faminto, ameaçou:
- Como é que você se atreve a sujar a água que estou bebendo ?
Respondeu o cordeiro:
- Senhor lobo, isto não é possível porque a água está vindo daí para cá!
A cada pergunta esfarrapada do lobo havia uma resposta sincera do cordeiro até que o cerco foi se fechando e o lobo meteu suas garras na presa, devorando-a.
Infelizmente, a razão do mais forte é a que prevalece, estando aí o Lobo da América para não desmentir o fabuloso La Fontaine.
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