Início Marco Régis A COPA DO MUNDO E IDEOLOGIAS POLÍTICAS - (II Parte)

A COPA DO MUNDO E IDEOLOGIAS POLÍTICAS - (II Parte)

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Escrevi, na semana passada, que, nesta Copa do Mundo de Futebol,  tirante a minha torcida natural pela seleção verde-amarela do Brasil, tenho várias outras segundas opções para eu torcer. Então, elenquei uma série de países que iriam merecer alguns miligramas da adrenalina que flui pelo meu sangue e, aqui, deixei claro que usaria critérios políticos. Muitos leitores devem ter deplorado essa minha exótica maneira de declarar uma preferência esportiva. Mas, se todos pudessem usar um melhor senso crítico iriam perceber que a toda hora  pela TV, pelo rádio ou pela Internet essa mistura de esporte com política é jogada na nossa cara como se fosse uma mera questão esportiva, numa sutil e abominável manipulação das nossas consciências. 
Ou será que ninguém nunca prestou atenção à maneira com que toda a mídia vem se referindo à Coreia do Norte desde que ela foi sorteada como integrante do grupo do Brasil ? Para refrescar a memória daqueles que podem não ter percebido, mas armazenaram tais informações da  imprensa manipuladora nos escaninhos dos seus cérebros, posso dar algumas pistas. A essa nação sempre deram conotações extraesportivas tipo “país do ditador Kim Jong-Il;  o futebol da desconhecida e misteriosa Coreia; a ditadura comunista da Coreia; um país que passa por dificuldades econômicas; etc.”. A internet chegou a cogitar que o país não contaria com torcedores presentes nos estádios africanos. Agora, com meia centena  vista nas arquibancadas no jogo contra o Brasil, tentam justificar como sendo eles nacionais do país que moram no continente. Mas, isso não é lá insensatez daqueles que dizem que os habitantes nacionais da Coreia do Norte, de Cuba e de outros socialistas vivem doidos para fugir dos seus países ?  Como poderiam eles estar livres nos estádios da Copa e  não terem pedido asilo político ? Apesar de países livres, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Honduras, Austrália e outros  nunca foram  chamados de desconhecidos ou seus jogadores de  pernas-de-pau como foram chamados os comunistas orientais. Este era o desejo que fossem mesmo os coreanos comunistas. Mas, em campo, Galvão Bueno da Globo, chegou a dizer: “os homens não são nada bobos”, embora desejassem que fossem para aumentar a desmoralização.
Um fato a Imprensa capitalista não conseguiu tampar com  a peneira:  no jogo Coreia do Norte x Brasil, um importante jogador, Jong Tae-Se,  nascido em Nagoya, Japão, que atua neste país e poderia  estar na seleção nipônica,  naturalizou-se  nortecoreano, fazendo parte do time da pátria adotiva. Durante a execução do hino de quem o adotou, exteriorizou forte emoção, chorando descontroladamente. Que país é esse, classificado como de horrenda ditadura, que atrai  um atleta de um país muito mais rico e livre, provocando cena inédita como esta ?
Por falar em naturalização de atletas, estimam-se em mais de setenta o contingente de jogadores naturalizados neste campeonato mundial de futebol. Um contrasenso para um evento que coloca nações frente a frente, que exalta manifestações nacionalistas dentro das fronteiras nacionais. Se persistir o rítmo dessas naturalizações, vai acontecer o que prevê o atual presidente da confederação internacional de futebol, Joseph Blatter: “ no espaço de mais duas copas,  dentre os 32 países,  o duelo será geral e ampliado: Brasil x Argentina”. Por isso, admite ele, com certo ranço de xenofobia, que tomará medidas contrárias. Não sei se ele logrará êxito, pois o mundo globalizado (  e a TIM) estabelece um mundo sem fronteiras, onde reinem o individualismo e o dinheiro.          


 

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