Ou será que ninguém nunca prestou atenção à maneira com que toda a mídia vem se referindo à Coreia do Norte desde que ela foi sorteada como integrante do grupo do Brasil ? Para refrescar a memória daqueles que podem não ter percebido, mas armazenaram tais informações da imprensa manipuladora nos escaninhos dos seus cérebros, posso dar algumas pistas. A essa nação sempre deram conotações extraesportivas tipo “país do ditador Kim Jong-Il; o futebol da desconhecida e misteriosa Coreia; a ditadura comunista da Coreia; um país que passa por dificuldades econômicas; etc.”. A internet chegou a cogitar que o país não contaria com torcedores presentes nos estádios africanos. Agora, com meia centena vista nas arquibancadas no jogo contra o Brasil, tentam justificar como sendo eles nacionais do país que moram no continente. Mas, isso não é lá insensatez daqueles que dizem que os habitantes nacionais da Coreia do Norte, de Cuba e de outros socialistas vivem doidos para fugir dos seus países ? Como poderiam eles estar livres nos estádios da Copa e não terem pedido asilo político ? Apesar de países livres, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Honduras, Austrália e outros nunca foram chamados de desconhecidos ou seus jogadores de pernas-de-pau como foram chamados os comunistas orientais. Este era o desejo que fossem mesmo os coreanos comunistas. Mas, em campo, Galvão Bueno da Globo, chegou a dizer: “os homens não são nada bobos”, embora desejassem que fossem para aumentar a desmoralização.
Um fato a Imprensa capitalista não conseguiu tampar com a peneira: no jogo Coreia do Norte x Brasil, um importante jogador, Jong Tae-Se, nascido em Nagoya, Japão, que atua neste país e poderia estar na seleção nipônica, naturalizou-se nortecoreano, fazendo parte do time da pátria adotiva. Durante a execução do hino de quem o adotou, exteriorizou forte emoção, chorando descontroladamente. Que país é esse, classificado como de horrenda ditadura, que atrai um atleta de um país muito mais rico e livre, provocando cena inédita como esta ?
Por falar em naturalização de atletas, estimam-se em mais de setenta o contingente de jogadores naturalizados neste campeonato mundial de futebol. Um contrasenso para um evento que coloca nações frente a frente, que exalta manifestações nacionalistas dentro das fronteiras nacionais. Se persistir o rítmo dessas naturalizações, vai acontecer o que prevê o atual presidente da confederação internacional de futebol, Joseph Blatter: “ no espaço de mais duas copas, dentre os 32 países, o duelo será geral e ampliado: Brasil x Argentina”. Por isso, admite ele, com certo ranço de xenofobia, que tomará medidas contrárias. Não sei se ele logrará êxito, pois o mundo globalizado ( e a TIM) estabelece um mundo sem fronteiras, onde reinem o individualismo e o dinheiro.
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