Início Marco Régis MUZAMBINHO SE INCLUI E SE FORTALECE DENTRO DOS 2OO ANOS DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL - (II Parte)

MUZAMBINHO SE INCLUI E SE FORTALECE DENTRO DOS 2OO ANOS DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL - (II Parte)

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Na introdução a este assunto, fizemos um histórico da Educação Profissional no Brasil.  Lembramos que em 1809, com a Corte portuguesa já governando em território colonial, um decreto do príncipe regente, Dom João, criou o Colégio das Fábricas;  depois, no período imperial, foram instaladas as Casas de Educandos e Artífices e, progressivamente, os Liceus de Artes e Ofícios. Posteriormente, no governo republicano de Nilo Peçanha houve a criação de dezenove escolas técnicas, sediadas nas capitais dos estados brasileiros, similares aos liceus mas voltadas para o ensino industrial, ficando o reconhecimento a esse presidente como fundador do ensino técnico brasileiro. Entendendo a vocação agrícola do país, o governo Dutra (1946/51) promulgou a Lei Orgânica do Ensino Agrícola, através do Decreto-Lei nº 9613, de 20.8.46, que foi o alicerce para criação das futuras escolas agrotécnicas federais, uma delas instalada em Muzambinho, pessoalmente pelo presidente Getúlio Vargas (1951/54) e pelo Ministro da Agricultura e Deputado Federal, João Cleofas de Oliveira, ministério no qual essas escolas ficaram vinculadas por muitos anos, com a ¨cooperação pedagógica do Ministério da Educação¨, conforme o art.56 dessa lei.
Nosso intuito na abordagem do tema acima intitulado é, ao mesmo tempo, dar sustentação à tese da importância do ensino técnico no Brasil e no mundo, com o especial enfoque para a inserção do município de Muzambinho nessa modalidade de ensino e o que isto tem representado, além das promissoras perspectivas que se descortinam com a transformação da antiga Escola Agrotécnica Federal de Muzambinho em campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais, de acordo com o Inciso XVI, do Art.5º da Lei Federal 11.892, sancionada em 28 de dezembro de 2008, pelo Presidente Lula. 
Esta lei, acima mencionada, institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e cria 38 Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia – IFETs - , sendo 5 em Minas Gerais, 2 no Estado do Rio de Janeiro, apenas hum em São Paulo, enfim em todas as regiões brasileiras. Cada um deles é formado por um único ou mais Centro Federal de Educação Tecnológica – CEFET -. ou única Escola Técnica Federal,  juntamente com nenhuma ou várias Escolas Agrotécnicas, ou, ainda, formado somente por estas. Alguns exemplos: IFET Sul de Minas (escolas agrotécnicas de Inconfidentes, Machado e Muzambinho, ficando a Reitoria deste em Pouso Alegre, devendo ser observado que o nosso conterrâneo, Prof. Rômulo Eduardo Bernardes da Silva galgou o honrosíssimo cargo de Reitor deste IFET e o competente Prof. Luiz Carlos Machado Rodrigues veio a ser guindado a Diretor-Geral, este nomeado pelo Magnífico Reitor; e aquele pelo Presidente da República, ambos em caráter pro tempore, isto é, até o final dos atuais mandatos; os IFETs do Acre, de Brasília e do Amapá foram constituídos unicamente por suas respectivas Escolas Técnicas Federais, enquanto o da Bahia o foi pelo CEFET de Salvador; já o IFET Baiano foi composto pelas escolas agrotécnicas de Catu, Guanambi, Santa Inês e Senhor do Bonfim; e, num último exemplo, o IFET de Pernambuco, integrado pelo CEFET de Pernambuco, do Recife, e pelas agrotécnicas de Barreiros, Belo Jardim e Vitória de Santo Antão (terra natal do Ministro da Agricultura do governo Vargas, citado no início desta coluna).
Cada campus poderá atuar na educação básica, média, superior e pós-graduação, sendo que o nosso desenvolve atividades na educação básica com o PROEJA infantil, diversos cursos técnicos de ensino médio, de tecnólogos, cursos superiores que irão começar neste segundo semestre de Ciências Biológicas e Ciência da Computação e, ainda, em 2010, Engenharia Agronômica, além de pós-graduação em Cafeicultura Sustentável.  O IFET de Muzambinho ramifica suas raízes para outros municípios no sistema de educação à distância com pólos nas cidades de Alfenas, Três Pontas, Cataguases, Juiz de Fora e Timóteo.
Tudo o que foi exposto de maneira superficial sobre a revolução educacional representada nas finalidades e objetivos dos IFETs dá mostras da grande dimensão do governo Lula e seu Ministério da Educação comandado pelo gabaritado Ministro Fernando Haddad. Isto ainda é pouco se atentarmos para o PROUNI, que abre acesso aos alunos nas faculdades particulares; nas inúmeras universidades públicas criadas pelo seu Governo, como a do ABC paulista, da UNIFAL, de Alfenas, que antes nunca passara de isolada Escola de Farmácia, Odontologia e Enfermagem; da Universidade Aberta do Brasil Alterosa; do pólo à distância da UFMG em Campos Gerais; da extensão da UNIFAL, que está em construção em Poços de Caldas.  Isto quase que falando somente da nossa região. É mesmo uma revolução. Foi preciso para isso que chegasse à Presidência da República um retirante nordestino, criticado pela sua baixa escolaridade. Ele dinamiza e consolida o ensino público mesmo rotulado como analfabeto. Ao contrário daquele que o antecedeu, Fernando Henrique Cardoso, um sociólogo, professor universitário e intelectual, na verdade um especialista em gols-contra, pois sua ação principal foi a de desmonte do Estado brasileiro, subserviente que foi ao Fundo Monetário Internacional – FMI – e ao Consenso de Washington.
As elites brasileiras sempre temeram Lula, imaginando que ele no poder insuflaria o povo contra elas, detonaria o sistema financeiro, colocaria o Brasil numa situação de isolacionismo em relação aos países ricos, enfim o caos, a treva. Ao contrário, ele se afirmou como uma das maiores lideranças mundiais, havendo até sido apontado pelo presidente do ainda mais poderoso país da comunidade internacional, Barack Obama, por mais de uma vez, como “o cara”, “um modelo de governante”.
Lula colocou em prática velhas pregações relativas à Educação, que antes ficavam só nos discursos das campanhas políticas. No caso da educação profissional, certamente que ele se inteirara de que países com algumas características em comum como o Japão, Coréia do Sul e Itália tiveram no Ensino Técnico a mola propulsora do seu fantástico desenvolvimento após a Segunda Guerra Mundial. Certamente que sim, pois nós da esquerda temos uma harmonia de idéias como os sons de uma orquestra. Lembro-me bem de meus repetitivos discursos, no meu primeiro mandato de prefeito de Muzambinho, quando eu dizia da necessidade de formarmos mais técnicos para a impulsão do nosso progresso e na contenção da onda de criação de faculdades particulares e formatura de uma legião de doutores desempregados. Modestamente, também naqueles idos pusemos as idéias em prática no campo educacional em Muzambinho, criando e instalando em 1991 o Curso Técnico em Administração, na Escola Municipal “Dr. José Januário de Magalhães”, num trabalho competente e arrojado do então Vice-prefeito e Secretário de Educação, Prof. José Sales de Magalhães Filho, ao lado das assessoras e professoras Helena Lúcia Riboli e Maria Marta Santiago; a implantação do ensino profissionalizante do SENAC, que foi ampliado e modernizado no nosso segundo mandato; mais o pioneirismo do transporte escolar por nossa livre iniciativa e sem quaisquer ajuda com verbas estadual e federal como viria acontecer depois de nós.
Nas próximas semanas vamos aprofundar a análise da importância dos IFETs para o Brasil e no desenvolvimento socioeconômico de Muzambinho, fazendo um paralelismo com o salto desenvolvimentista de países como o Japão, a Coréia do Sul e a Itália que investiram no ensino tecnológico. Também vamos rememorar o êxito que foi a nossa Escola Normal, a criação do curso técnico em contabilidade, que sempre foi uma referência regional, o técnico em enfermagem no colégio “Salatiel de Almeida”, o SENAC, a instalação de 5 centros de inclusão digital na recém findada administração municipal e a irresponsabilidade da atual que  mantém fechados dois deles com pretextos revanchistas e vesgos.
 

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