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Início Marco Régis MUZAMBINHO SE INCLUI E SE FORTALECE DENTRO DOS 200 ANOS DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL - VII Parte

MUZAMBINHO SE INCLUI E SE FORTALECE DENTRO DOS 200 ANOS DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL - VII Parte

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Não que estejamos esgueirando-nos do tema que acima se intitula. Não que estejamos prolongando-o novelescamente. Mas, ao correlacionar Muzambinho com a educação profissional, do ponto de vista de cursos técnicos,vai parecer fora de órbita falarmos sobre a Escola Superior de Educação Física de Muzambinho -ESEFM, o que hoje faremos. Primeiramente, porque seria injusto omitirmos esta instituição na vida da cidade, no ano em que a Fundação Educacional Muzambinho, sua mantenedora, comemora quatro décadas de existência e ela própria, 38 anos.
Um segundo motivo, porque, na época do seu surgimento,os graduados em educação física tinham como função lecionar teoria e prática desta disciplina em escolas de ensino fundamental e médio.
Em tese de pós-graduação, desenvolvida pelo Prof. Wilian Peres Lemos, um dos fundadores da ESEFM, diante da Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas, ele assim se expressou sobre isso: “ A Educação Física, nos anos 60/70, era essencialmente relacionada com a área escolar, sendo este o segmento do mercado de trabalho almejado pelos formandos nas poucas Escolas então existentes ... Existiam muitas escolas de ensino fundamental e médio portanto uma enorme clientela para as aulas de Educação Física, cujos professores na ausência do habilitado eram,quase sempre, ex- jogadores de futebol e militares...Nestas circunstâncias, embora alguns fossem leigos ou autodidatas,  conseguiam desempenhar a contento sua missão nos colégios. Mas, a grande maioria era despreparada, principalmente para o real significado e valor Educação Física para a vida das pessoas...”.
Pensando em melhorar o entendimento acerca desta profissão e, ainda,  de suprir a região Sudoeste de Minas Gerais e Leste Paulista de profissionais habilitados, Wilian Peres Lemos e Lia Mara Zaghi, formados em 1965 pela única escola do gênero em nosso Estado, naquela época,  lançaram a idéia da criação de outra aqui em Muzambinho, que viria ser a segunda de minas e a primeira do seu interior. O sonho considerado como uma idéia louca, começou  a ser viabilizado quando ganhou a adesão do notável médico muzambinhense, professor  de Biologia, Dr. Antero Veríssimo da Costa, e do tenaz e polêmico padre franciscano, pároco de Muzambinho, o holandês Frei Rafael Zevenhoven.
Do sonho à sua realização foram sendo vencidas as etapas. Foram conquistadas cem pessoas doadoras,no município e na região,cuja principal moeda de doação foi o café. Outros duzentos sócio-fundadores contribuíram com mensalidades, sendo que, hoje cerca de oitenta continuam vivos. No plano legal e político, houve a importante colaboração do Dr. Jacy de Assis, oriundo desta região, onde até hoje tem familiares. Ele se destacou na vida de Uberlândia, não só como Jurista, mas também como um dos fundadores da atual Universidade Federal de Uberlândia. Seu apoio deu-se junto ao Chefe do Gabinete Civil do Presidente Costa e Silva, o uberlandense Rondon Pacheco, que fora governador de Minas, e ao Líder do Governo na Câmara dos Deputados, Geraldo Freire, natural da vizinha Boa Esperança e que foi aluno do antigo Lyceu de Muzambinho.  Outro apoio foi o do Prof. Herbert de Almeida Dutra, diretor da Escola de Educação Física de Belo Horizonte, quando dos cursos de graduação de Wilian Peres e Lia Mara Zaghi, que era conselheiro do Conselho Estadual de Educação e um dos três nomes indicados pelo Conselho Federal de Educação para compor a Comissão de Reconhecimento da ESEFM,  quando se viveram momentos tensos e decisivos.
Já enfatizamos, em artigos anteriores desta série, que desde a década de 1960 não se dinamizava e não se expandia o ensino público no Brasil, o que só veio acontecer, agora, com o Governo Lula. Pois bem, na tese de pós-graduação do Prof. Wilian Lemos, atrás mencionada, ele explica isso em vários tópicos da sua dissertação. Em um deles está assim: “ Digno de registro foi a Lei 4.024, de 20/12/1961, que fixava as Diretrizes e Bases da Educação Nacional...favorável a iniciativa privada... Com a nova Lei incentivando o ensino particular, favoreceu-se a expansão de cursos profissionalizantes...objetivando formar produtores, consumidores e mão-de- obra necessária à modernização da indústria... Até 1964, no arcaico sistema Universitário, predominavam as Universidades Públicas, absorvendo até 75 % do total de alunos matriculados...”. 
Então, devemos considerar que o nascimento da nossa ESEFM foi favorecida pelo amparo da lógica do ensino particular e pela ideologia da Ditadura Militar que, ainda segundo o Prof. Wilian, incentivava o desporto, trazendo-o para dentro da escola, tentando passar para os jovens valores como a disciplina e a hierarquização, além de produzir os atletas de elite necessários a propaganda de uma futura nação olímpica.
A ESEFM cresceu física e educacionalmente. Consagrou-se entre as suas congêneres e entre os profissionais da área. Criou cursos de especialização. Realizou encontros memoráveis, especialmente, várias edições do Simpósio Mineiro do Movimento, que trouxe entre nós profissionais e especialistas de todo o País. A última conquista deu-se no ano passado: o curso de bacharelado, que dá possibilidade que a Escola forme profissionais para trabalharem em todas as atividades da Educação Física. Isto permite que a ESEFM seja mais competitiva diante das inúmeras similares que se abriram na Região do Sudoeste mineiro e Leste paulista, onde ela reinava sozinha nos anos seguintes da sua fundação.
Não é sem motivo que a ESEFM venha sendo classificada como á 40ª do Brasil, dentre as centenas já existentes, pelo Guia do Estudante da Editora Abril. Deve ser observado que todas as 39 antes dela pertencem a uma Universidade Pública ou Particular. Na verdade, como escola superior isolada, ela fica como a 1ª do País.
Como ex-prefeito tenho a consciência tranquila e orgulho-me de haver procurado atender os pleitos da ESEFM. Ano passado, por exemplo, subvencionamos a Fundação com R$ 35 mil para a reforma de uma piscina olímpica, indispensável para a aprovação do curso de bacharelado por parte do Ministério da Educação. Também, havíamos cedido, através de lei, o amplo Ginásio Poliesportivo ‘Milton Neves‘, localizado ao lado das suas instalações, construído pelos ex-prefeitos Nilson Bortoloti e Sérgio Cerávolo Paoliello, com recursos municipais e federais, estes canalizados pelo Deputado Federal Carlos Melles,  com o mesmo intuito.

* Marco Regis de Almeida Lima é médico e exerceu os cargos de prefeito de Muzambinho (1989/92 e 2005/08) e deputado estadual – MG (1995/98 e 1999/2002)
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