Predestinação deve ter sido o mistério da vida da criança nascida em prole numerosa e pobre, nos idos de l945, em Garanhuns-PE. De fato, o nascituro Luiz Inácio da Silva escapara da elevada estatística nordestina dos natimortos; também sobreviveria às altas taxas de mortalidade infantil; mais à frente anteviu o seu futuro, no sul do país, enfrentando, com êxito, uma maratona em um pau-de-arara com destino ao eldorado paulista.
Com o apelido de Lula incorporado na sua vida, adquiriu a profissão de metalúrgico na qual desenvolveria uma incontestável liderança sindical. Através desta, na treva da ditadura militar, começou a brilhar a luminosidade do seu nome. Fugiria do destino trágico de outros combatentes pela liberdade como o operário Manuel Fiel Filho, do jornalista Wladmir Herzog e do deputado Rubens Paiva, exemplos em diferentes categorias profissionais que foram trucidados nos porões do regime de 1964. Nem teria seu corpo crivado de balas exposto, como forma de intimidação e vingança, em páginas inteiras de jornais e revistas coniventes com os golpistas do poder, a exemplo do que aconteceu com os lendários Capitão Carlos Lamarca e com o comunista Carlos Marighela. Muito menos se misturaria às ossadas anônimas do cemitério de Perus-SP ou dos inóspitos rincões onde ocorreram os embates inglórios da guerrilha do Araguaia.
O seu caminho político foi desbravado a partir da fundação do Partido dos Trabalhadores, em 1980, vindo a eleger-se deputado federal por São Paulo e participando da Assembleia Nacional Constituinte que nos legou a atual Constituição Federal. A seguir, viriam as suas candidaturas presidenciais de 1989, quando perdeu para Collor; e de 1994 e 1998, derrotado por Fernando Henrique Cardoso, que instituiu a reeleição no Brasil sob suspeita de compra de votos no Congresso Nacional. Mas, diz o ditado que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, perseverança esta que o guindou em 2002 `a presidência da República, e à reeleição de 2006.
Embora tentem passar a balela que os dois mandatos de Lula sejam uma reprodução dos dois outros do seu antecessor, tudo tem sido bem diferente. Nunca mais sentimos a humilhação de simples executivos do FMI virem ao nosso país para imporem medidas econômicas neoliberais ao nosso governo, sobretudo as negociatas das privatizações. Nossos amigos hoje são quem nós queremos e não quem a Casa Branca nos indicava, haja vista a nossa aprovação à inclusão da Venezuela no Mercosul e a nossa aproximação ao repudiado Irã.
Com Lula no poder os pobres e os esquecidos passaram a ter vez. Não somente pela fantástica transferência de renda como o bolsa-família, que tirou milhões da fome, mas, também, pelo fim da escuridão para outros milhões, colocando-os dentro de um elemento fundamental para o campo – a energia elétrica -, num programa que ultrapassou metas da própria Revolução Russa, como disse aqui em Muzambinho o então presidente do Conselho Gestor Estadual do LUZ PARA TODOS, Milton Tavares, perante o então assessor do Ministério de Minas e Energia, Nelson Hubner, que viraria Ministro dessa área, tendo eu como prefeito do Município como um adepto entusiasta (so aqui, na nossa administração, foram quase 700 propriedades rurais ligadas, criando um surto de vendas de aparelhos elétricos, que incrementou a economia local e que aqui representou um investimento federal de cerca de 6 milhões de reais). Mais uma vez quero repetir, que o Brasil precisou ter um chamado analfabeto na sua presidência para abrir um leque de oportunidades na educação pública, da educação infantil, ao ensino profissional e aos cursos superiores, setor este que foi tomado de assalto por particulares desde os governos militares até Fernando Henrique. Não só o Instituto Federal em Muzambinho é exemplo em nossa região, mas, ainda, a criação da Universidade Federal de Alfenas –UNIFAL -, a Universidade Aberta em Alterosa, a expansão da UFLA, em Lavras e a extensão da UFMG, em Campos Gerais.
Agora, queremos enfatizar a crise mundial iniciada entre setembro e outubro de 2008, com o estouro da bolha imobliária nos Estados Unidos. No final deste mesmo ano, Lula foi para a TV e estimulou os brasileiros a não pararem de comprar a fim de manter o mercado interno aquecido e arriscou-se numa frase, dizendo que a crise chegaria ao Brasil como uma “marolinha”. Sofreu, com isso, contundentes críticas da imprensa e dos economistas subordinados aos ditames de Wall Street.
As medidas tomadas com independência pelo Brasil deram bons resultados. As principais foram : a ampliação do crédito através dos nossos bancos oficiais (BNDES, Bco.do Brasil e CAIXA) – que os tucanos comandados por Fernando Henrique sucatearam para preparar a sua venda com maior facilidade; a redução de impostos na indústria automobilística, na chamada linha branca e nos materiais de construção; o implantacão do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento; e a continuidade da política de aumento do salário mínimo acima dos índices da inflação para o aumento do seu poder de compra, mesmo com a ameaça da crise.
Os resultados aí estão a exaltar o governo Lula. Os indicadores econômicos e os analistas especializados são unânimes em proclamar que a crise mundial não vingou no Brasil, como desejavam os pessimistas ou a galera contra o Lula. Foi mesmo uma “marolinha”, como previra o Presidente há um ano atrás. Vejam que a Bolsa de Valores brasileira foi a que teve maior crescimento mundial em 2009 – 140% - seguida pela russa com 129%, ficando a americana e inglesa em torno dos 20%, conforme foi noticia do Jornal da Globo na noite desta 2a. feira. Já a edição de no. 2145, de 30 de dezembro corrente, da revista VEJA, verdadeira trincheira das oposições brasileiras, ressalta a manutenção da popularidade de Lula em 70% e a comemoração do mesmo junto a jornalistas pelo fato do Brasil haver criado um milhão e quatrocentos mil novos empregos, em plena crise mundial, além de haver arrecadado, no período de janeiro a outubro de 2009, apenas l% menos que no mesmo período do ano passado, quando o nosso crescimento econômico superava os 6%.
Para coroar tudo o que já citamos, Lula levou propostas ousadas para a recente Convenção do Clima, que aconteceu em Copenhague, arrancando aplausos mundiais. Mais do que isto, foi escolhido a personalidade do ano pelo expressivo jornal espanhol El País e o homem do ano pelo não menos expressivo diário francês Le Monde. Aliás, o nosso Estado de Minas, em sua edição do dia de Natal, semana passada, publicou a foto da capa desse veículo de comunicação francês, onde aparece a figura do nosso Presidente e a expressão: “LULA, L’HOMME DE L’ANÉE 2009", que é seguida de um texto cuja parte é reproduzido pelo nosso matutino coestaduano: “o brasileiro, 64 anos, colocou decididamente seu país em uma dinâmica de desenvolvimento...e ao fim de dois mandatos terá dado uma nova imagem à América Latina”.
Assim surfando, nas ondas da marolinha, Lula chega a 2010 decidido a emplacar a sua austera Ministra Dilma Roussef como a sua sucessora. Ao romper a barreira dos 20% das intenções de voto, em recentes pesquisas, ela confirma o favoritismo que o nosso conterrâneo e radialista Regis Policarpo já vinha prevendo em seus abalizados cálculos, o que, nesta semana, vem sendo reforçado pelo nosso cientista político e dono da Vox Populi, Marcos Coimbra.
Um bom Ano Novo para todos.








