É salutar que pessoas com as mais diferentes vivências possam se manifestar nas páginas deste semanário a respeito das suas cidades. Tais manifestações dão um caráter mais democrático às questões em debate, fortalecendo conceitos ou desmoronando ideias inconsistentes.Portanto, temos que louvar o artigo do conterrâneo, publicitário, administrador e professor universitário, Helder de Melo Moraes que, em 9 do corrente, na página 2 de “A Folha Regional”, discorreu sobre “As Pedras Preciosas de Muzambinho”. No texto, o autor faz menção a algumas notáveis esculturas em pedra que constituem o nosso patrimônio arquitetônico como o Chapéu de Sol, o Cruzeiro da Matriz e os bancos de pedra da Praça D. Pedro II. No entanto, ele mesmo salienta que o foco principal da sua abordagem está na “pavimentação por paralelepípedos de algumas ruas da cidade”.
Ao encampar a defesa de tal tipo de pavimentação, Edinho, como nós o tratamos carinhosamente, enfoca aspectos históricos de Minas Gerais, ligando-os com o turístico e o mercadológico dos dias atuais, além de outro indiscutível hoje em dia que é o ambiental.
Ao defender a tese da preservação de ruas com paralelepípedos em Muzambinho – e em qualquer outra cidade – o Prof. Helder Melo Moraes dá sustentação ao nosso historiador e ex-secretário de governos municipais, Fernando Magalhães, que descortinou o caminho para que os mesmos fossem tombados pelo município. Logo em seguida, receberia os aplausos do nosso colega de jornal, Estevão Bortoloti e, agora, os nossos.
Mais do que aplausos, o texto deste nosso talentoso conterrâneo deve servir de alerta para o atual prefeito, Sérgio Paolielo, que tem tido o mau gosto e a insensibilidade de aplicar remendos ou desenvolver horrorosas passarelas asfálticas para pedestres – que devem ter sido copiadas da vizinha cidade paulista de Mococa.
Não somente concordo e aplaudo o artigo do Edinho, pedindo a preservação das ruas com paralelepípedos em Muzambinho. Diria ainda que, como prefeito preocupado com os fatores por ele discorridos, na minha primeira gestão, ampliei o número de ruas pavimentadas com este tipo de pedras, como a Rua Vereador Dr. Antero Veríssimo da Costa, que une o Canaã à Rodovia BR 491, além de todas as ruas do tradicional bairro Brejo Alegre. Não bastasse isso, priorizei a pavimentação com bloquetes de todas as ruas do bairro COHAB, à exceção da via principal – Rua Vergílio Barbieri – que já estava pronta, e de toda a Vila Lima.
Também, em filmes e documentários no cinema e na televisão, sempre fui bom observador, percebendo o gosto pelos paralelepípedos em ruas e praças da Europa e dos Estados Unidos. Talvez, este gosto tenha se desenvolvido em mim, desde os idos de 1956, quando vim de Monte Belo para estudar em Muzambinho, ocasião em que o infatigável e simpático prefeito de então, Domingos Mazzilli, transformava a nossa principal via pública, a Avenida Dr.Américo Luz, de chão de terra batida no calçamento quase que perfeito existente até hoje. Aliás, sua filha Helena e o marido dela, Aloisio Novais, residentes em Belo Horizonte, defendem a preservação dessa duradoura obra, ecologicamente correta, não somente pelo lado emocional de quem a construiu, mas por conhecerem o mundo e haverem observado que tal tipo de calçamento é respeitado por todas as partes, citando eles a área do Arco do Triunfo, em Paris, e o tradicional bairro Santelmo, em Buenos Aires. Outra pessoa culta, que demonstrou deslumbramento pela Av. Américo Luz, seu calçamento e suas árvores, comparando-a aos grandes “boulevardes” de Paris, foi o professor João Batista dos Mares Guia, ex-Secretário de Estado da Educação de Minas Gerais, irmão do ex-ministro de Lula, Walfrido Mares Guia, que permaneceu três dias em nossa cidade, a convite da minha última administração, em 2006, desenvolvendo um curso de capacitação para os professores muzambinhenses.Seria bom que os pseudos defensores do progresso se capacitassem melhor a respeito da pavimentação de ruas. Dessa forma, não cometeriam o desatino de encobrir a beleza e a sustentabilidade do calçamento da Av. Américo Luz por asfalto. Isto foi feito por um irresponsável prefeito na histórica São João Del Rei, terra de Tancredo Neves, o que foi censurado pela grande imprensa nacional e internacional. Ainda queremos lembrar a badalação promovida pela sua também histórica e vizinha Tiradentes, célebre pelos seus festivais de culinária e cinema, que tem todo um calçamento por pedras de formato irregular. E o que dizer de Diamantina, terra de Juscelino Kubitschek e do meu sogro, João Nunes, contemporâneo do presidente, pavimentada por grandes e pequenas pedras, tombada como Patrimônio Histórico da Humanidade.
Vejam que asfalto nem sempre é fator de progresso. Percebamos que a arte suplanta muito daquilo que é tido como progresso, em qualquer parte do mundo civilizado.








