A Folha Regional

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Paulo Botelho

A TABUADA

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“Os cavalinhos correndo,
e nós, os cavalões, comendo!”
Manuel Bandeira, poeta e escritor.

Régua de tábua daquelas de 40 centímetros de comprimento, em riste, ela me perguntava, histérica: “Oito vezes nove?” – Setenta e dois. – “Correto!” – “E nove vezes oito?” – Oitenta e um. “Burro!” – Assim era a hora da tabuada, lá em casa, com a professora Teresa, minha tia. Ainda virgem aos 35 de idade, exigia: “Você tem que ser o melhor aluno do Grupo Escolar Cesário Coimbra ou não me chamo Teresa de Luna Botelho!”

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O QUE VEM DE BAIXO

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“Entre as prendas com que a natureza
alegrou este mundo onde há tanta tristeza
a beleza das flores realça em primeiro lugar.”
(Rancho das Flores, de Vinicius de Moraes, poeta)

Está de volta, caro leitor, a dona Maria de Luna Botelho com as suas pedagógicas observações. Claro que você sabe quem foi ela, não é mesmo? Se não, trata-se de minha avó paterna. Segue, então, mais uma dela própria, tão oportuna: “Tudo o que vem de baixo é surpreendente e perigoso. Cuide-se para não ser atingido”.

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O MEU 11 DE SETEMBRO

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“Acordei de um sonho estranho:
um gosto de vidro e corte,
com sabor de vida e morte!”
(San Vicente, de Milton Nascimento e Fernando Brant).

Aquele 11 de Setembro de 1981 já amanhecera cinzento e frio em São Paulo. Eu deveria retornar a São José dos Campos com minha mulher grávida de 9 meses. Dirigindo um fusquinha de fracas 1.200 cilindradas, na metade  do caminho, Neide começa a sentir fortes dores de parto. Fomos direto para o hospital. Lá nasce uma menina com o cordão umbilical enroscado no pescoço. Dois dias depois, já estamos em casa. Mas, à noite, a menina não está bem: tem problemas respiratórios. Luiz Carlos Rosa, o pediatra amigo, corre para socorrê-la. E, felizmente, o problema é superado. Ana, que nasceu com menos de 2 quilos, tornou-se uma mulher bonita, inteligente, independente. Um mulherão, como se diz. Fez aniversário no domingo. Tem cheiro de flor!

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LIVRO É PARA SEMPRE

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“Livro: árvore de um bosque encantado e que se anima ao abrir-se.” Mário Vargas Llosa, escritor peruano.

Explicado pelo matemático húngaro Paul Erdos, o livro é um produto intelectual e, como tal, encerra conhecimento e expressões individuais ou coletivas. Mas, também, é um produto de consumo, um bem. E sendo assim a parte final de sua produção é realizada por meios industriais de impressão e distribuição.

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O CINZA DA DOR E DA MORTE

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Mais de 5.000 mortes e 25.025 incapacitados permanentes. Não é o saldo de uma guerra civil, mas o resultado de 428.072 acidentes de trabalho ocorridos em 2006 no Brasil, gerando custos da ordem de R$ 4 bilhões, conforme dados do Ministério do Trabalho e Previdência Social. Os números dos anos seguintes não são nada melhores.
O que torna o trabalho tantas e continuadas vezes nocivo, perigoso e mortal? O trabalho em si não é nocivo, perigoso e muito menos mortal. O que o torna assim é a forma como ele é organizado pelas empresas, provocando fadiga, exaustão e doenças ocupacionais em seus funcionários.

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