Sobre crias do Criador

Publicado em 16/06/2017 - Paulo Botelho - Da Redação

Sobre crias do Criador

Matam-se animais hoje mais que no tempo de Joaquim de Luna Miranda Couto, poeta e magistrado – meu bisavô. E com muito mais pressa. Ainda hoje o boi morre abatido com marretadas ou de sangria na carótida.
Autoridades que cuidam da fauna no Sri-Lanka anunciaram, logo após o Tsunami de 2004, que apesar da perda de milhares de vidas humanas, não houve nenhum registro de morte de animais. Por quê? – Porque os animais têm audição aguçada, além de fabuloso faro. É provável que “ouviram” a inundação. Deve ter havido vibração; pode ter ocorrido mudanças na pressão do ar que alertaram os animais (elefantes, macacos, tigres, leopardos e gatos, entre outros) fazendo com que eles se deslocassem para lugares mais seguros. – É o sexto sentido deles.
No Egito, ao tempo dos faraós, matar um gato era crime punido com severidade. Quando um gato morria, de morte natural, conta o historiador Heródoto, as pessoas da casa choravam em luto como se tivessem perdido um membro da família. O gato era consagrado ao Sol e ao deus Osiris; e a gata era consagrada à Lua e à deusa Iris.
Se você, caro leitor, for montar um cavalo, monte pelo lado esquerdo; se montar pelo lado direito, vai levar um coice. Portanto, não mexa com o cérebro dele. Ele pensa melhor que nós humanos.
Muito embora, como em “Os Miseráveis” do escritor Victor Hugo, os tigres chegam à noite com suas vozes suaves a sugerir que os melhores sonhos humanos sejam realizados. Sem medo.
Eu sou do tempo em que os animais quase falavam; desde aquela época eles queriam, apenas, serem respeitados e preservados. Nada mais que isso.

Paulo Augusto de Podestá Botelho é Consultor de Empresas e Escritor. www.paulobotelho.com.br